AQUECIMENTO GLOBAL 

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Onda de Rossby

Enchentes no Paquistão e onda de calor na Rússia tiveram a mesma causa

Publicada em 01/09/2011 às 02h13m

O Globo (ciencia@oglobo.com.br)

    RIO - Dois dos mais destrutivos desastres naturais do ano passado - separados por 2.414 quilômetros - estão intimamente ligados ao mesmo evento meteorológico, segundo um novo estudo da Nasa. O grande fenômeno atende por Onda de Rossby. As catástrofes que desencadeou foram o calor extremo e persistentes incêndios florestais na Rússia, assim como ventos incomuns e mudança no regime de chuvas do Paquistão.

    Embora o calor russo tenha começado antes das enchentes asiáticas, ambos os eventos atingiram força máxima aproximadamente ao mesmo tempo. A conclusão veio a partir de informações obtidas por satélites da agência espacial americana, capazes de medir a temperatura da superfície do planeta, assim como a intensidade das precipitações.

    A atmosfera, gasosa e transparente, pode não parecer fluida, mas é precisamente assim que esta fina camada, que envolve o planeta, se comporta. Enquanto a Terra gira em seu eixo, enormes rios de ar - chamados pelos cientistas de Ondas de Rossby - serpenteiam ao redor do globo rumo ao oeste. No centro delas formam-se correntes de jato. Tratam-se de colunas de ar que se movem rapidamente e empurram fenômenos climáticos do oeste para o leste.

    Estas ondas não são uniformes. Áreas de baixa pressão normalmente se desenvolvem em suas calhas, enquanto áreas de alta pressão formam-se em seus cumes. Parcelas de ar quente dos trópicos e de ar frio dos polos giram ao redor das partes de baixa e alta pressão das ondas. Criam, assim, um sistema complexo de frentes quentes e frias, que encontram-se e interagem constantemente. As colisões entre elas produzem chuvas.

    Em condições normais vistas no verão, a corrente de jato empurra uma frente climática pela Europa em quatro ou cinco dias. Algo inusitado, porém, ocorreu em julho do ano passado.

    Um sistema de grande escala e estagnado - conhecido como evento Ômega - desenvolveu-se ao longo de uma crista de alta pressão sobre o oeste da Rússia. Este bloqueio dividiu a corrente de jato e desacelerou a Onda de Rossby, evitando o progresso dos sistemas climáticos normais do oeste para o leste.

    Como resultado, uma grande região de alta pressão formou-se sobre a Rússia, prendendo uma massa de ar quente e seca.

    O bloqueio criou um padrão de vento diferente sobre o Paquistão. Áreas de baixa pressão formaram-se na frente da Onda de Rossby, em resposta à ida do ar frio e seco para baixas latitudes.

    - Com os dados de satélite da Nasa e as análises do vento, podemos ver claramente a conexão entre esses dois eventos - explica William Lau, que, junto à Kyu Myong Kim, assina o estudo, publicado no "Journal of Hydrometeorology". - Pense na atmosfera como uma membrana solta. Se você empurrar uma parte para cima, algo terá que cair para outro lugar. Se você produz uma alta em uma região, provocará uma baixa correspondente em outra área.

    Floresta Amazônica é responsável por 44% das chuvas no Brasil, mostra pesquisa

    Plantão | Publicada em 07/07/2011 às 10h54m

    O Globo (ciencia@oglobo.com.br) Com Globo.com/ Bom Dia MT

    Rios voadores garantem chuva no Brasil

    CUIABÁ - As árvores da Floresta Amazônica são responsáveis por boa parte das chuvas em território brasileiro. Nas contas do ambientalista Gerard Moss, que atua no projeto "Rios Voadores", elas garantem 44% das chuvas de todo Brasil. A base do projeto é a cidade de Cuiabá. Por sua posição geográfica, ela é ideal para o monitoramento da umidade que desce da Floresta Amazônica.

    As gotículas de árvores evaporadas acabam se deslocando por milhares de quilômetros. Por isso são chamados de rios voadores.

    Em uma gota d'água são várias informações sobre o clima brasileiro. A bordo de um monomotor, Moss percorre o Brasil estudanto as correntes de ar. São elas que carregam a umidade da Floresta Amazônica.

    A aeronave contém equipamentos que conseguem sugar pequenas partículas de água. Coletadas, elas passam por uma série de análises. Temperatura e umidade contam muito para essa captação. Só assim é possível descobrir a origem da chuva.

    A coleta é feita uma vez ao mês. Os pesquisadores ficam de olho nas condições do tempo.

    - A gente aproveita muito das condições ideias para o fenômeno Rios Voadores quando a corrente vem da Amazônia e passa por Cuiabá. A gente vai seguindo nesse rio voador - diz o pesquisador.

    São essas coletas que já revelaram dados importantes. Por exemplo, a maior parte da água vem das árvores. Cada uma delas seria capaz de eliminar para a atmosfera mil litros por dia. A coleta de dados ainda não terminou, mas o pesquisador acredita que os rios voadores possam ter o maior volume de águas do mundo.

    - O bem-estar das pessoas depende do que acontece na Amazônia. O desmatamento e as mudanças climáticas podem alterar esse equilíbrio que existe entre as chuvas e a umidade - diz Moss.

    Catástrofes

    Fenômenos climáticos extremos estão mais frequentes e a população, mais vulnerável

    Plantão | Publicada em 05/06/2011 às 08h19m

    Ana Lucia Azevedo

    As cicatrizes deixadas nas montanhas de Friburgo pelas chuvas de janeiro, no Rio. Foto: Custódio Coimbra

    RIO - Certos anos são definidores da História. Eventos que transformam a relação da sociedade com o ambiente. E 2011 é um desses anos. A tragédia de janeiro na Região Serrana do Rio, o maior desastre natural nos mais de cinco séculos do Brasil, colocou o país no indesejado mapa das zonas de risco do planeta e evidenciou de forma indiscutível nossa vulnerabilidade às mudanças do clima.

    Da Terra, o imenso oceano de ar que envolve nosso planeta, é mais misterioso do que a Lua. Mas já deu sinais claros de que esta é uma época de mudança. Especialistas dizem ser impossível, por enquanto, afirmar que o aquecimento global está por trás de eventos como as chuvas da Serra, as de abril de 2010 e 2011 no Rio, as enchentes devastadoras em São Paulo e as ressacas atípicas, como a que atingiu semana passada a orla carioca e de Niterói. Houve ainda chuvas torrenciais no Norte e no Nordeste. Certeza mesmo há duas. A primeira é que as cidades, ao alterarem profundamente rios, encostas e solos e concentrarem populações contadas na casa dos milhões, geram seu próprio clima e risco. A segunda é que, por sermos muitos, e muitas vezes em lugares de risco, nossa vulnerabilidade nunca foi tão alta aos fenômenos climáticos.

    - Entramos num novo regime climático. Um regime de extremos. Nas grandes cidades, que modularam o próprio clima, ele já está em curso. A sociedade brasileira precisa se conscientizar de que chuvas e secas extremas não serão mais esporádicas. Já são rotineiras - diz Marcos Sanches, do Centro de Ciência do Sistema Terrestre (CCST) do Inpe, em Cachoeira Paulista.

    A professora do Departamento de Meteorologia da UFRJ Claudine Dereczynski, especialista em chuvas, lembra que em 6 de abril de 2010 choveu mais no Rio do que as máximas registradas na Serra em janeiro. Então o que pode ter feito a diferença entre as duas catástrofes é a grande exposição ao risco nos vales e encostas da Serra, numa região com o solo já saturado por dias de chuva contínua.

    - Nos últimos 30 anos, dobrou em São Paulo a frequência de chuvas violentas. A intensidade dos fenômenos climáticos extremos aumentou. Mas o aumento da vulnerabilidade da população é muito maior - afirma o chefe do CCST, José Marengo

    Há 15 anos, a cidade de São Paulo parava devido a grandes alagamentos uma vez por ano. Agora isso é rotina, observa Marcos Sanches.

    Ressaca em Niterói. Foto: Ana Branco/ 29.05.2011

    Claudine acrescenta que as medições de estações no Alto da Boa Vista e em Santa Cruz indicam elevações no volume de chuvas e no aumento da temperatura, principalmente das mínimas. Isso significa que o calor dura todo o dia. Não há alívio. E não é só no verão. As pessoas costumam temer as chuvas da estação. Mas abril é um mês que reúne uma combinação explosiva de calor de verão com frentes frias, típicas do inverno.

    - Não é surpresa que o Rio de Janeiro tenha sido castigado em dois anos seguidos por violentas chuvas de abril (6 de abril de 2010 e 25 de abril de 2011). Essas chuvas tendem a se tornar mais frequentes - explica Marcelo Seluchi, pesquisador do Centro de Precisão do Tempo e Estudos Climáticos do Inpe (CPTEC).

    Há dois componentes para o aumento dos desastres naturais no Brasil. Um é humano. Há mais gente, e é maior a população em áreas de risco. O outro é atmosférico. As cidades formam ilhas de calor, com um microclima mais instável.

    - A diferença de temperatura (a mínima, principalmente) entre o Centro do Rio e a periferia pode chegar a 4 graus Celsius. Em São Paulo, isso também ocorre. É o fenômeno da ilha de calor - diz Seluchi.

    Gilvan Sampaio, do CCST/Inpe, destaca que, nos últimos cinco anos, têm sido observadas mudanças na distribuição das chuvas ao longo do ano:

    - Chove o mesmo volume no total, mas ele é mal distribuído. O resultado são tempestades violentas.

    Para Seluchi, é um fato concreto que a temperatura do planeta está em elevação:

    - Têm aparecido fenômenos que antes não conhecíamos em determinadas regiões.

    Especialista em tempestades, o meteorologista Ernani Nascimento, da Universidade Federal de Santa Maria, frisa:

    - É indiscutível que os desastres estão mais frequentes, mas isso acontece porque estamos mais vulneráveis.

    Nascimento chama a atenção para o fato de, nos últimos anos, terem sido registrados no Atlântico, junto à costa do Brasil, fenômenos com características de ciclone tropical, como furacões. O mais famoso deles foi o Catarina, em 2004, classificado como o primeiro furacão brasileiro. Mas antes dele, no mesmo ano, um fenômeno semelhante se formou junto à costa da Bahia. Foram registrados ainda o Anita (no Rio Grande do Sul, em 2010) e o Arani (em março de 2011, entre o sul do Espírito Santo e o norte do Rio). Estes, felizmente, não chegaram à terra.

    - Não sabemos se eles já ocorriam e só agora são registrados, graças à melhora na tecnologia. Ou se são fenômenos novos. Sempre tivemos ciclones extratropicais. Mas ciclones tropicais têm ventos mais fortes e características diferentes e não existiam nessa parte do Atlântico - pondera Nascimento.

    Seluchi diz que são grandes as incertezas, num mundo em transformação:

    - Será que o Brasil um dia será afetado por furacões? Não sabemos ainda. Mas a população precisa estar preparada para eventos extremos.

    Tecnologias verdes

    Um freio no aquecimento global

    Priscila Jordão, da INFO Sexta-feira, 10 de dezembro de 2010 - 09h24



    Victor de Schwanberg/Science Photo Library/SPL DC/Latinstock
    Um freio no aquecimento global
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